Pequenas dicas de Cabala

Merkabah,a carruagem mística da visão de Ezequiel

Bom,eu não sou um mega cabalista fodástico que interpreta os cânones secretos e sabe a gematria “de có e salteado” só de ouvir a palavra no hebraico original….mas também não sou um bosta no assunto.Acho que o pouco que sei pode servir de alguma coisa e alumiar quem tá dando os primeiros passos no assunto.

Isso porque a base de toda a Tradição Esotérica Ocidental é a cabala,devendo juntamente com a astrologia e alquimia,ser estudada com afinco ou no mínimo se ter uma noção básica para não ficar perdido mais a frente da caminhada.

É muito certo que todo mago é cabalista mas o contrário não procede.Isso porque a Cabala é dividida em várias vertentes de estudo,que vão da mais tradicional e “raiz” a mais pop e moderna.Em se tratando de magick em geral,a cabala mais requisitada para estudo é a hermética.

A cabala de caráter hermético surgiu com o desenvolvimento filosófico e matafísico dos hebreus do período helenístico,que tiveram contato com os ensinamentos da gnose,mistérios grego e egípcios e tradições religiosas do oriente.Inicialmente oral,ela foi aos poucos sendo codificada em comentários atrelados a literatura canônica já existente e muito a influenciando.Para se ter uma noção,só poderia estudar cabala quem fosse homem,hebreu,com família e com idade mínima de 40 anos.Isso porque para os sábios da época era o tempo suficientemente necessário para se ter uma maturidade e caráter formados em conformidade com a sociedade e as escrituras sagradas.

Isso por haver a possibilidade de risco de morte ou loucura devido as práticas místicas de contato com as esferas celestes.Ter mente forte para aguentar a experiência e corpo saudável para jejuns e outras práticas um pouco ascéticas era fundamental.Não a toa que Dion Fortune costumava chamar cabala de a “Ioga do Ocidente”,porque tinha o mesmo propósito de união que a ioga também possui,mas aplicado a um contexto pragmático do homem não-oriental.

Essa tradição ficou muito reclusa e escondida entre o povo judeu até que houve um renascimento graças as obras de Moisés de Leon e os alquimistas.Posteriormente foi desenvolvida uma cabala não mais tradicional conforme o judaísmo,mais ligada a alquimia (a sua filha,por assim dizer) e ao rosacrucianismo.Essa cabala ficou conhecida como a cabala rosacruz  ou “cristã”.

Hoje as coisas mudaram,o mundo está acelerado demais para esperarmos até os 40 anos para aprender a se iluminar.Os mestres modernos entenderam isso e assim foi desenvolvida e finalizada a cabala hermética com caráter linguístico e arquetípico universal.A sorte que temos hoje com relação aos tempos antigos é que temos um maior acesso ao conhecimento e que novas idéias vem surgindo constantemente na área.Áreas de conhecimento como cabala draconiana ou qliphótica era algo inimaginado antigamente,por causa da falta de interesse no tema ou,quando sempre não,por medo mesmo.

Mas deixemos de rodeios.Minha proposta é bastante simplificada.Vou por aqui um guia de estudos de cabala.Algo como “Cabala for Dummies” para quem nunca adentrou nesse tipo de assunto e deseja ter uma noção maior sobre o tema.E não somente isso,para ajudar até mesmo a entender a estrutura de rituais,culturas,ensinamentos e diversas outras coisas ao longo do caminho.

Vamos então ao guia…

1.Promethea,de Alan Moore,esse GÊNIO.Quer saber de magia e cabala de forma extremamente didática e agradável.LEIA ESTA OBRA PRIMA!

2.A árvore da vida,de Israel Regardie.Ótima obra introdutória do ponto de vista moderno e de linguagem bastante acessível ao iniciante.Vale a pena ler.

3.A cabala mística,de Dion Fortune.Mais densa que a do Regardie e com conceitos mais avançados sobre o caráter de cada esfera da Otz Chin.

4.O Mundo Desperto,texto do Crowley.Uma alegoria muito legal sobre o Sagrado Anjo Guardião.Dica:faça um paralelo com Promethea…se você analisar sintaticamente…hehehe…

5.Sepher Yetzirah,texto cabalístico clássico abordando a criação do mundo e a relacionando com o alfabeto hebraico.

6.Liber 777,um guia muito bem elaborado.Começou inicialmente com Bennet e teve participação de Crowley e consultas ao Mathers.É bem seco,não tem tudo,tudo.Mas tem bastante coisa para se trabalhar os paralelos entre correlação de nomes,conceitos,fórmulas,metais,etc.Não é de leitura,é mais como consulta mesmo.

7.Sepher Sephiroth,trabalho muito bom da dupla Bennet-Crowley.É no mesmo estilo do 777,só que mais direcionado a linguistica e gematria,uma espécie de dicionário cabalístico de sinônimos entre palavras através de códigos numéricos.

8.A árvore da vida (Cabala),de Ben Shimon Halevi,Ed.Planeta.Vale muito a pena ler esse livro.Praticamente o mais belo que li pela simplicidade.

Bom,só isso mesmo.Procurem ler na ordem de dificuldade que eu pus,exceto o 8 que é mais recomendação bibliográfica propriamente dita.

Até a próxima!

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Enquetes e Feedbacks…fala ou cale-se para sempre!

Bom amigos,

O Lamparina ainda é novo na blogosfera e tem de se disciplinar para melhor atendê-los.Tenho meta de até o primeiro trimestre de 2012 deixá-lo mais apresentável,criar parcerias.Tudo com o singelo propósito de melhor servi-los e alumiá-los no caminho tortuoso que é este da senda.

A participação de vocês é muito importante para mim e para o blog.Minha participação é somente de escrever e dar diretrizes,opinar algo que me interessa,mas também visando que meu projeto de escrita possa atingir,estimular e provocá-los o suficiente a ponto de vocês buscarem algo.Se eu conseguir esse mérito ficarei bastante contente.

Isso porque eu também tenho meta de me tornar um escritor mais “pró” e menos medíocre.Passei bastante tempo sendo um escritor de gaveta que meu engajamento ao público do que escrevo tem de ser apresentável o bastante e recomendável.

Para se ter uma noção,desde a criação do blog no final de novembro foram 562 visualizações.Sei que não é infinitesimal em comparação com outros maiores e gigantes da blogosfera,já estabelecidos,mas para mim é um bom estímulo.Os que leram e que me conhecem pelo Facebook ou por Chats restritos nas “interuébes” curtiram,compartilham e vez ou outra comentam gostando ou discordando de alguns pontos.Isso me alegra muito.Participem se gostarem do blog e também tiverem metas semelhantes as do mesmo.

Sem mais,

Abraxas.

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Da iniciação e dos fundamentos da magia

Hermes "Três Vezes Grande"

A magia não é um mero ato direto de interferência no universo.Primeiro por ela não atender as nossas vaidades pessoais de qualquer maneira,tampouco “interfere” nas leis naturais que regem tudo que existe.

Isso por que existem leis naturais que nos regem.Leis essas que ao longo dos tempos sofreram muitas adaptações para os mais diversos ramos da física,química,biologia,astronomia,dentre outras,estão todas sujeitas a postulados e axiomas mais antigos (e nem por isso menos verdadeiros) que foram preservados a todo custo para que hoje ainda pudéssemos ter algum acesso e resgate dessa essência eterna.

No começo,quando todas as ciências eram ainda pouco abrangentes e desenvolvidas,todo o saber arcaico foi compilado pelos vários corpos de iniciados ao redor do mundo conhecido.O maior deles foi um homem divino chamado Hermes Trimegistus,o “Três vezes grande”.A sua grandeza se devia pelas três grandes ciências que punham ordem ao mundo,que eram a ciência sacerdotal,medicinal e legislativa.Hermes Trimegistrus também é uma junção dos três deuses do conhecimento.

O primeiro deles foi Toth,divindade egípcia que tinha por papel ser escriba dos deuses e  compilador das leis que regiam o mundo e o homem.Em algumas versões mitológicas se fundia a Anúbis (o que atravessava o submundo,semelhante ao Caronte grego) sob o augúrio de Hermanúbis,significando que as leis que regem a natureza visível são as mesmas que confirmam as metafísicas de planos mais sutis de existência.

Sempre visto com uma pena e um papiro para qualquer anotação,o mesmo tinha como mascote de estimação um macaco ao ombro.O sinocéfalo representa a mente instintiva que vez ou outra confundia o homem e o levava ao erro,pois a mente primitiva necessita de controle e disciplina para se manter racional num mundo cruel e violento,onde a única de todas as certezas é a morte.

O segundo é a divindade grega Hermes,o mensageiro dos deuses,indo a todos os cantos possíveis para transmitir as informações assim como os neurotransmissores se fazem úteis para que a mensagem sináptica do cérebro possa comandar à boa vontade do homem a si mesmo.Hermes é o ardiloso mestre da lábia,dos conhecimentos práticos e da malandragem além do bem e do mal,portando-se como um legítimo exú ante as trevas da ignorância.Afinal,como dizem em umbanda:”exú é luz”.E isso significa muito.

Por fim,Mercúrio.O tão famoso deus-menino com um penico na cabeça,patrono do comércio e ciências.De todas elas,vide os símbolos para contabilidade,medicina…

Mas não se engane pelo caráter de menino.A inocência e fragilidade é o mais poderoso dos ardis,representando a simplicidade do conhecimento objetivo sem obscuridades.A fluidez é o maior de seus trunfos,tanto é que mercúrio na tabela periódica dos elementos é representado pela sigla Hg,que significa Hydrargirus,a “prata líquida”.A flexibilidade e abrangência do conhecimento não serão barradas por nada,pois a natureza visível como oculta encontra sempre sua via de acesso para poder obrar sobre o mundo do mesmo modo como o curso de um rio destrói e corrói as maiores muralhas.”Ceder para vencer”,como falam no judô.

Hermes Trimegistus nunca existiu,que fique bem claro.Ele apenas foi uma máscara,um instrumento simbólico de proteção e anonimato de vários sábios ao longo do mundo antigo e tinha por propósito a divulgação e compilação de leis e ensinamentos que dessem ao buscador uma base de auto-conhecimento necessários para que se sustentasse por conta própria rumo a um objetivo maior,que é unir-se ao Todo.

Nesse processo paulatino da magia,começa-se a alcançar o objetivo mais simples e o mais difícil dentro da senda.

Esse objetivo é o que se chama de iniciação.

“Iniciação em quê?”

A iniciação é um começo,o verdadeiro começo da jornada,pois o homem até lá vive obscurecido pela ignorância e dor inerentes ao mundo que habita.Ascender aos céus e alcançar a apoteose não é tão simples como parece,tampouco um processo curto.Afinal,não é da Grande Obra que estamos falando?

A primeira das iniciações diz a respeito do nosso próprio plano físico,uma vez que o homem é cego para a verdade que se encontra (aparentemente) oculta nas entrelinhas.Em cabala é o que se chama de iniciação em Malkuth,o plano físico de existência no qual estamos todos inseridos.O plano físico é terrestre e aleatório,sujeito as intempéries da destruição e morte e paradoxalmente á vida e prosperidade.Essa natureza dupla de caráter dialético é o significado de um de seus sinônimos:”mundo dos discos”.Discos ou moedas,a sorte e seu revés,que é o azar e os infindáveis tipos de opostos que convivem harmonicamente sem conflito aparente.

Um dos dramas míticos comuns sobre o homem e o mundo físico é a tão conhecida passagem do Gênesis que diz a respeito de Adão e Eva após o ato de desobediência a Demiurgo serem condenados á condição de mortalidade num mundo duro,tendo de recorrerem ao trabalho para o próprio sustento e sobrevivência.Esse drama gnóstico retrata que o homem,para voltar a condição original perdida de união com o Criador,teria de suportar o castigo de estar no mundo terreno e tentar sair dele a qualquer custo.

Por isso o drama da iniciação sob o cerne da morte.A morte que elimina o mal do ego dualista e o renascimento do homem para um novo mundo de perspectivas infinitas em sua busca de união.Quando não,o drama do enfrentamento do homem com a “noite escura da alma”,onde se depara com o pior de si mesmo encarnado na face alheia de seres hostis.

Fundamentos de Magia (K)

Um dos primeiros livros em português que tive que falavam de thelema abertamente e de forma bastante didática foi Fundamentos de Magia (k),escrito por Sérgio Bronze.O livro é fino e objetivo em sua proposta,que é dar ao iniciante os fundamentos no qual a magia,a iniciação e a busca se sustenta,sob um ponto de vista thelêmico,fazendo já uma propaganda explícita e bastante agradável (diga-se de passagem!) da Astrum Argentum,da qual o autor faz parte sob a alcunha de Frater Fênix.

Por algum motivo desconhecido na época eu perdi o livro e 5 ou 6 anos depois o reencontrei me “chamando” num sebo em que frequento bastante.Nada como um reencontro saudoso e amoroso.Ora,essa não é a essência de filosofia?

Pois bem.No livro supracitado existe uma abordagem de iniciação bastante sensata,que começa pelo conflito do homem com o demônio,no qual o mesmo sente uma “aversão”.O que é um pouco contraditório,pois magia é uma arte do demônio.

Calma,vou explicar:O demônio a que me refiro é o daemon grego,do qual se origina a palavra,que significa “espírito livre”.Por esse caráter de Hermes ser o patrono da magia mais conhecido no Ocidente,que mantém correspondência de significado com exú (atribuidíssimo á imagem catolicizada do demônio),que tem a mesma função em umbanda.

O daemon é totalmente distinto de diabo,pois diabo vem de “diabolos”,que significa “perverso”.Essa perversão é que é constantemente usada pelas religiões de massa e seus fanáticos para incutir medo aos buscadores que se interessem por magia.

Segundo o próprio autor,”(…)estando o homem comum no mundo das conchas,teoricamente ele estará mais próximo dos seres demoníacos do que dos Anjos.Deve o homem,então,buscar nesses seres demoníacos o ajustamento necessário para conhecer a si mesmo e amar seu semelhante(…)” ,pois “(…)Os demônios,como comumente são chamados,são os grandes iniciadores dos verdadeiros iniciados,pois os iniciados conseguem compreender que muito de sua própria natureza se reflete neles;é o reconhecimento de si mesmos a partir de suas limitações(…)”.

O homem começa (e deve!) trabalhar com os próprios defeitos,com o mais podre e pérfido de si mesmo,devendo fincar os pés nas mais profundas entranhas infernais para ascender a mente ás alturas,como Crowley certa vez disse,ao modo de uma árvore:quanto maior a copa,mais profundas são as raízes.

Atu XV-"O Senhor dos Portões da Matéria"

O demônio é muito útil.Basta analisarmos o Atu XV,que se refere ao “Senhor dos portões da matéria”,segundo minhas pesquisas da visão tarológica da Golden Dawn.Para se dominar a matéria tem de ser proficiente em alquimia ou gnose meditativa para dominá-la,estando acima dela.”Do pó vieste e ao pó voltarás”,assim está escrito nas Sagradas Escrituras.Alquimia em tese é a manipulação de matéria por separação e aglutinação,que remete a fórmula hermética “solve et coagula” encontrada em Baphomet.

Ainda em atu XV,vê-se nas mais antigas ilustrações o diabo em cima de um cubo.O cubo é a representação do elemento terra tridimensionalizado.Terra corresponde a letra Tav e o mundo físico/matéria corresponde a união de Aleph(Ar),Mem(água) e Shin(Fogo) que,unidas a Tav,formam a cruz AmeShT em uma significação semelhante a formula I.N.R.I….uma “encruzilhada” donde reside a sua figura,se amalgamando herméticamente com a figura do Exú,que é “Senhor” da encruzilhada.

Ainda em Tav,analisando a letra descobre-se que ela corresponde ao planeta Saturno,que rege o processo de morte(a efemeridade da matéria) e o “retorno de saturno”(tão bem esposto por Renato Russo) remete a iniciação por meio de festividades pagãs muito presentes na Antiguidade sob inspiração de Baco,Dionísio e….Pã/Cernunnos(senhor do submundo celta),daí relacionando a figura na posição de dominador(note as correntes nos amantes) dos homens,que tem a potencialidade de alcançar as alturas ou as profundezas…

…o que volta novamente ao posicionamento dos braços de Baphomet,cujo atbash é Sophia,sabedoria,e cuja significação etimológica signifique batismo.Essa figura andrógina é uma chave de mistérios cujo propósito é a iniciação,daí corroborando opiniões de magistas como Sérgio Bronze,Duquetti e outros de que o Diabo é o verdadeiro iniciador dos verdadeiros iniciados rumo ao adeptado(note que o Atu XV conecta as esferas Hod e Tipharet),o que se mantém como tradição em correntes de bruxaria tradicional,candomblé,umbanda etc.

Isso é apenas uma análise singela e simplória,pois ainda teria muita coisa a ser discutida mas que não mais caberia nessa discussão do tema.Tudo por ser algo de caráter universal e que não se limita a uma corrente específica de iniciação.

A busca pela iniciação não é fácil,pois antes mesmo o buscador é testado para ver se é digno de mérito por prática e sinceridade estar na senda.Algo semelhante ocorreu comigo quando fui escrever para o autor perguntando algumas coisas tolas há um bom tempo.Hoje eu me envergonho de um dia ter sido assim,burro e imbecil a ponto de perguntar pela simples curiosidade e frivolidade.O que me moveu foi a vaidade e soberba que hoje execro.

Se não fosse as patadas e a “finesse” de uma hiena que ele teve comigo eu não teria ficado puto e entendido algumas coisas pessoais da busca.

Num dos e-mails de resposta ele diz:

“Quanto a questão de linhagem, você não deveria se preocupar tanto com isso, linhagem não quer dizer que você conseguirá alguma coisa no caminho iniciático. Você pode contar nos dedos quantos alunos do próprio Crowley que conseguiram atingir alguma coisa. Linhagem nada significa, se você não tiver perseverança, inteligência, discrição, etc. Conhecimento e, mais tarde, Sabedoria não são coisas dadas, mas adquiridas por si mesmo. Portanto, essa coisa de linhagem de nada vale! Linhagem para mim nunca representou nada. Com toda certeza posso dizer e garantir que a minha “linhagem” provêm diretamente de Mestre Therion, mas foi algo conquistado e não dado. Portanto, saber de quem descendo não deixa de ser apenas mera curiosidade sádica, que não leva a lugar algum.

Para você ter uma idéia, pouco antes de falecer, meu Instrutor pediu que todas as nossas correspondências que não fossem instruções oficiais fossem destruídas logo assim que eu soubesse de sua morte. Assim foi feito e fisicamente não existe nenhum documento oficial que me ligue a esta pessoa. Por que isto foi pedido? Ora, obviamente para evitar coisas como essa bobagem de linhagem; para evitar a exacerbação do ego; problemas futuros com a curiosidade alheia; etc. Dentro da Santíssima Fraternidade não existem tais coisas, Ela é uma Fraternidade totalmente espiritual e não-física: leia o documento que citei acima. Portanto, você só saberia de quem descendo, se um dia você estivesse sob minha Instrução e se eu achasse por bem dizer, mas garanto que isso nada significa. Fuja da vaidade!”

O contexto dessa resposta dura (porém necessária) foi uma pergunta frívola a respeito de iniciação física em ordens (a A.’.A.’.,para ser mais exato).Isso porquê a iniciação não é somente um ritual,mas um fenômeno de trasformação espiritual estritamente pessoal.Rituais são meras formalidades que as vezes se fazem necessárias para manter um vínculo de tradição de sinceridade na busca.Essa é uma questão que poucos entendem,pensando que ordens ou sendas diferentes são apenas camisas de times.Ou quando não,iniciações via msn,astrais á distancia,auto-iniciações que nada provam o mérito de ultrapassar as barreiras de Malkuth…

Foi isso que eu entendi as duras penas,e reconheço o erro.Peço desculpas ao autor se um dia ele ler isso,e agradeço de coração pela dureza do ensinamento.Não é o que desejamos,mas o que é necessário que seja feito.

Como o próprio mesmo diz:”(…)Muitos são aqueles que falam de linhagem e tradição mágica,mas nenhuma linhagem ou tradição mágica pode substituir a dedicação,a perseverança e a aspiração do iniciado(…)Não existem iniciação coletiva ou iniciação que possam ser profanadas;ou seja,essas experiências são individuais e intransferíveis.Assim,todos os rituais da verdadeira iniciação são secretos em sua essência,pois jamais poderemos expressar em palavras o que foi vivenciado(…)”

Eu ainda não passei por alguma iniciação propriamente dita,estou ainda bastante distante do meu objetivo e com grande dificuldade avanço para cumpri-lo.Isso por ser,como muitos,apenas um buscador em início de jornada…um logo caminho.

Essa busca é a mesma de sair da caverna de Platão.Ao modo dos egípcios a iniciação pela morte do ego e saída a luz do dia como um deus redivivo é instruída pela purificação e julgamento do iniciado no tribunal de Osíris.A melhor referência que encontrei a esse respeito foi a do ritual do neófito da Golden Dawn,onde “antes você estava em trevas,agora sais á luz”,que remete bastante as antigas fórmulas de iniciação do Livro para sair á Luz,vulgarmente conhecido por “Livro dos Mortos Egipcio”.

O mesmo se dá com o Bardo Thodol,conhecido também de forma vulgar como “Livro dos Mortos Tibetano”,onde se trata dos estágios de “clara luz” (coincidência essa “luz”,não???) e passagens por transformações e enfrentamentos de divindades coléricas e benéficas ante ao próprio julgamento que o homem faz de si mesmo após a sua morte física.

Diferentemente da visão de iniciação em thelema,onde a morte não é mais cultivada como o cerne central da iniciação sob uma filosofia piegas de submissão e escravidão do homem.A morte não é excluída,mas seu ciclo é relegado as aparências ilusórias bastante comuns ao ignorante que desconhece das leis que regem o universo.

Como é dito no texto “Passando do Velho para o Novo Aeon”:

“Se não quereis ser um Rei vós mesmos,entretanto admiti que eles tem direito á Realeza,mesmo como vós tendes este direito,quando quiserdes aceitá-lo.E no momento em que quiserdes aceitá-lo,tendes apenas que vos lembrar disto-Olhai as coisas do ponto de vista do Sol”

“O que disse da Obra solar é completo”!

Fontes

Fundamentos de Magia (K),Sérgio Bronze,Ed.Madras

O Caibalion e Corpus Hermeticum,de Hermes Trimegistus

Hermes,Coleção Grandes Iniciados,Edouard Shuré,Ed.Martin Claret

O Livro dos Mortos Egípcio

O Bardo Thodol,comentado pelo Lama Anagarinka Govinda

Sergio Bronze-Artigo do blog Esquina do Inferno sobre o autor

Arte & Alquimia-Blog pessoal do autor

Tarot de Toth-Outro blog do mesmo autor focado somente no tarot de Crowley

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Ordálios e brigas de faca no astral

Deserto,a solidão e a provação...

Em uma de minhas conversas com um colega meu sobre a trilha na senda ele citou um exemplo que vez ou outra volta na minha cabeça,que é o de que a medida que o estudante passa a conhecer as leis espirituais que movem as engrenagens do mundo físico e metafísico ele passa a tomar consciência de que aquilo que antes era comum não é mais tão mundano assim.

E que a medida que se intensifica os estudos e práticas,o estudante passa a ter uma consciência maior dos processos e,inconscientemente ou não,passa a interferir nestes processos…o tempo parece se “acelarar” ou “desacelerar” e coincidências começam a ocorrer de forma mais frequente que o estudante imaginava,deixando-o assustado.

Com o tempo vem um silêncio mortal que precede coincidências mais infelizes e duras para com o estudante.Sim…coisas escrotas como sofrer doenças mais que o comum da média,entrar em brigas mais que o comum,sentir-se isolado mesmo entre muita gente,ou ignorado em todas as situações,perdendo a voz e a atividade entre outros tipos de sofrimento e confusões caóticas que lhe bombardeiam na medida que se intensifica as práticas.

O mundo,como diz um amigo meu,é composto por uma Dialética em que a busca espiritual é obliterada pelo mundano.Um conceito bastante gnóstico de que parece o mundo estar contra você em tudo,praticamente o universo “conspirando” contra você através do azar.Isso é um ordálio champz!Parabéns,mas apenas um dentre vários outros tipos mais abrangentes de ordálios.

“O que são ordálios afinal?”

A melhor imagem que me vem à mente é a do direito de costumes germânico antigo ou das antigas leis babilônicas para ilustrar a minha resposta.Esses institutos legislativos visavam combater a criminalidade ao extremo mas dava uma mínima chance ao réu de conseguir provar a “inocência”.Para tal,se fosse acusado de calúnia,o réu,para provar a inocência,deveria ser amarrado com as mãos nas costas e ser jogado nas correntezas de um rio caudaloso.Se sobrevivesse,estaria ele falando a verdade.

Quando não,teria ele que segurar uma barra de ferro em brasa por alguns poucos segundos sem gritar ou pestanejar.Nem vou tão longe.Pensem bem,ser acusado de ser “rei dos judeus” e,por falta de “provas” a favor da defesa,como então provar?Ora,se és mesmo o rei dos judeus “levanta-te e sai tu mesmo desta cruz” depois de uma longa tortura e crucificação até a morte!

O ordálio é ao mesmo tempo um fenômeno (sobre)natural e uma provação àquele que busca a iniciação.O seu objetivo é testar mesmo,pelo menos é isso o que eu percebo,posso estar equivocado quanto a isso.A vida é feita de escolhas e muitas vezes não temos (muitas vezes?Jamais teremos!) as mesmas oportunidades e opções que os outros.De certo modo temos de escolher entre uma dentre várias opções e conviver com as escolhas feitas.

Isso pode gerar um paradoxo,uma frustração sobre as múltiplas opções que nos são oferecidas.Devemos muitas vezes escolher uma e somente uma dentre tantas e não nos arrepender ou viver num delírio de como teria sido se tivéssemos escolhido a outra opção de caminho.

O mesmo se dá com os ordálios.Ao mesmo tempo que te testa para ver se você é realmente digno de estar na senda,a Dialética do mundo mortal lhe dá a opção de voltar atras e não buscar se iluminar para adquirir uma consciência maior.Não por maldade,mas o pior inimigo do homem chega a ser ele próprio e não os fatores externos que o testam.

Eu digo isso porque vi alguns se perderem no caminho,alguns do ocultismo,outros da vida em si.Não existe essa separação entre iniciático e profano,é uma ilusão de percepção.A vida de todos é uma eterna provação e iniciação.Somos forçados a isso.E essa “purgação” depois que passa tem um efeito benéfico que não dá para se medir com exatidão,pois mexe com níveis muito profundos do ser e sua interação com o resto do mundo que o rodeia.

Eu sou um cara colérico e passei por algo parecido.Para se notar a sutileza eu tinha como desafio controlar minha raiva e cólera comuns em minhas características de teoria humoral e astrologia.Meu Guevurah era ligado 24 horas por dia,sem dó nem piedade.Particularmente ainda é um pouco difícil controlar essa energia explosiva e direcioná-la para algo útil e sair do risco de auto-destruição.

Quando eu mais tentava ser paciente e refreava meu instinto de fúria parecia que as pessoas,familiares,amigos,colegas de faculdade e até mesmo professores vinham ao meu encontro em diversos atritos egóicos sob as mais diversas confusões que poderiam surgir.E isso num momento que eu queria controlar minha fúria explosiva e me tornar uma pessoa mais paciente.

Depois de um ano de trabalho duro eu consigo uma mera migalha de sucesso.Não é fácil sublimar as impurezas do veículo que é o ego,mas consegui me tornar uma pessoa menos furiosa.Menos ruim de certa forma já é algo com o que se contar.Eu mesmo costumo ser bastante auto-crítico e depressivo.Não meço esforços para me achar um bosta de ser humano.Isso ainda não mudou.

Passar nos ordálios é um trabalho de reflexão,e o cuidado de vigília para consigo mesmo é inevitável.Esses são os momentos mais importantes para se trabalhar o diário mágico,como falei em postagens anteriores.Deve-se meditar sobre isso.

Quando não é a própria natureza a nos testar,são os próprios entes do astral ou físicos a nos atacar.Da mesma forma com os ordálios,temos de nos proteger e atacar.

Sim,atacar.Não seja besta em pensar que magia é coisa fofinha.Magia pode ser tão escrota e desafiadora nas mãos de gente perigosa ou entidades que querem seu mal.Não é porque se é estudante e praticante das ciências arcanas que não se deixa de estar sujeito a algum perigo desse tipo no caminho.

Já ouvi de cada caso cabeludo de magia negra com o propósito de matar,ou mesmo de destruir a vida profissional,separar casais ou mesmo famílias.Quando não,ataques de entidades malfazejas com objetivo de fazer pirraça e absorver o medo e sanidade do indivíduo.

Nesse ponto eu condordo plenamente com a proposição do Crowley de que magia tem de objetivar o Santo Anjo Guardião e que usada por motivo torpe e egoísta já constitui interferência na verdadeira vontade alheia,sendo assim magia negra e profanada.

“Mas como então defender-se?”

A primeira medida a se tomar em se tratando de defesa (contra ataques de entidades/pessoas e ordálios) é estudar o plano astral e a interação do homem com os seres que lá habitam esse plano.O entendimento de como funcionam as engrenagens e portas ocultas do universo é imprescindível ao magista que tem de estar atento a tudo que ocorre ao redor,assim como medida até mesmo de antecipação.O melhores jogadores de xadrez planejam várias jogadas a frente de seu oponente,porquê não seria o mesmo com o ocultista?

A segunda é fortalecer o corpo,mente e espírito.Já deve estar claro que é necessário ao indivíduo um bom cultivo da saúde por meio de exercícios e alongamento,para diminuir a tendência ás doenças,assim como também ter uma boa prática meditativa para ter uma mente que aguente experiências mais fortes e impactantes.Quanto ao espírito,práticas diárias de banimento como RMP (Ritual Menor do Pentagrama),RGP (Ritual Gnóstico do Pentagrama),RDP (Ritual Discordiano do Pentagrama),Rubi Estrela,Ritual Dracontia…tudo ao gosto da vertente com a qual o praticante mais se identifica.Com a prática diária desses ritos se fortalece o corpo astral e se elimina energias mais densas que interfiram no duplo-etéreo do praticante.Uma verdadeira “musculação astral” enfim.

O terceiro passo é levantar as defesas.É mais específico,com encantos de proteção,imantação de objetos com tal finalidade,valendo utilização de talismãs,runas,sigilização de proteção,criação de servidores com tal finalidade,etc.Vale lembrar que o pantáculo que é disposto sobre o altar do magista por si mesmo é um escudo de proteção,rebatendo as energias negativas.Sem falar no clássico sal grosso para tomar banho ou colocar nas entradas ao melhor estilo Supernatural!

De livros que eu li sobre o tema,os que recomendo (mesmo á contragosto) são os da Dion Fortune e do Marcelo Ramos Motta.

A começar pela Fortune,que em sua obra “Autodefesa Psíquica” expõem através de relatos variados os diversos tipos de casos que podem ocorrer na senda como possessão,domínio mental,alucinação e vampirismo e posteriormente explicava sob teoremas simples que conciliavam tanto a abordagem espiritual quanto a psicológica.Isso por causa de sua formação na área de psicologia e psicanálise,ficando mais fácil diferenciar se a origem do transtorno é mental/fisiológico ou de fatores externos ao praticante que fugiam a normalidade.

O livro em si como fonte de consulta é ótimo e dá ao estudante uma noção de como eles agiam na época.Entretanto peca pela falta de detalhes da procedência de algumas histórias assim como de práticas que exerçam proteção efetiva.Algumas foram até expostas como no caso de selar recintos traçando pentagramas à base de água e sabão imantados com energia.Eu até entendo o motivo disso,pois ela era ex-membro (na época da obra) da Aurora Dourada e não podia expor nenhuma dica a mais de rituais específicos devido aos juramentos que ela fez.Isso é uma presunção minha,é claro.

No mais,na minha opinião pessoal ela peca um pouco quanto a definição dela de magia negra e Caminho da Mão esquerda.A mea culpa dela é que a formação dela foi na G.D. mesmo e da tradição de separar alta da baixa magia,que tem um tom muito dualísta por sinal,como se houvesse “bem” ou “mal” absolutos,o que revela nela um traço de medo do escuro primal que habita o seu inconsciente.

Outra obra que deve ser lida (também mais pelo seu caráter histórico que pelo conteúdo em si) é a do Motta,de nome “Ataque e Defesa Astral”.Uma obra relativamente mais longa que a primeira,mas não posso dizer que seja em qualidade maior.

O que me deixa puto do Motta é a contradição dele.Por exemplo,na quase totalidade dos comentários que ele fez do “Magia sem Lágrimas” só ter faltado esfolar o Regardie dizendo que

“(…) O parágrafo a seguir foi cortado pelo Sr. Regardie em sua “edição”, por razões relacionadas com a pura ganância. O paragrafo chama a atenção para os esforços de Crowley em decifrar os mistérios do Yi Jing, e Helen Parsons Smith tinha acabado de colocar pra fora sua própria “edição” deste Livro.(…)” (visto nesse link)

Isso vindo de um puto que P-L-A-G-I-O-U a maioria das histórias do Autodefesa Psiquica!!! (desculpas,não consegui me conter.Onde estávamos…?)

Tirando o plágio da maioria dos casos que ele expõem no livro,ainda dá para aproveitar legal algumas informações a respeito de influência mental e sexual em se tratando de magia,pois ainda é um assunto bastante polêmico,entre outros detalhes,como as vivências pessoais dele em se tratando de thelema,A.’.A.’. e O.T.O.

A exceção é a exposição exagerada que ele faz do Crowley em alguns de seus inúmeros “causos”,como a destruição pitoresca de uma vampira e sua quadrilha de charlatães,comparando-o a um tipo de Yusuke Urameshi que dá leigan pra tudo que é lado.Tudo bem que o Crowley é foda e realmente dedicou a vida dele contra o charlatanismo,que é deveras louvável e ameniza a “bichisse” (no sentido de frescura mesmo) dele de chamar atenção da mídia para as putarias que ele fazia.Mas tratá-lo como um supra-sumo sempre e usar a Santa Ordem,vilipendiando-a,com uma propaganda imbecil contra contra outras instituições (ele chegou a citar o Lectorium Rosacrucianum como ordem de “magia negra”) é uma babaquice sem tamanho.

Não deve se fazer vista grossa para essas coisas.O Motta como magista é inquestionável,mas nada apaga as merdas que ele fez em vida.

Mas vá bene,é como dizem nos clássicos fimes B :”A melhor defesa é o ataque”

No retreat,no surrender!!!

Fontes,

Autodefesa psiquica,Dion Fortune,Ed.Pensamento

O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns,Allan Kardec,da Ed.Centro de Difusão Espirita (dá uma abordagem científica sobre o tema,mesmo não sendo bem visto do ponto de vista do ocultismo em si)

Autodefesa psiquica (Link do 4.shared)

Ataque e Defesa Astral,Marcelo Ramos Motta

Necromancia e espiritismo,do Crowley,onde aborda sobre o tema de uma forma bastante cética em Magia sem Lágrimas

Supernatural,uma ótima série sobre um assunto.Casa muito bem ocultismo com ficção

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Os elementos e as vias alquímicas

Quando eu estudava química no Ensino Médio eu era fissurado para fazer medicina,tanto que eu estudava química e biologia por muitos livros,alguns até mesmo mais antigos,da década de 80,com fórmulas e disposições tão estranhas que depois fui me tocar que se referiam ao modo de disposição química segundo a  União Soviética,hehe!

Viagens à parte,o que me fascinou mesmo foi a própria alquimia,eu duvidava e mesmo assim me fascinava sobre as lendas de transmutar o chumbo em ouro.Eu lia O Alquimista do Paulo Coelho e Livro das Figuras Hieroglíficas do Flamel buscando um segredo oculto naquela porra toda.

Sinceramente,eu tive uma adolescência estranha mesmo.Eu mesmo me sinto anormal e com a sensação de “estranho no ninho” sempre às vezes.Algumas vezes me pegava frequentando centros de umbanda (o que era raro e um desafio para um moleque de 14 ou 15 anos) ou tentando decifrar o Apocalipse com um amigo meu com a finalidade de impedir o fim do mundo (que viagem!!!Se bem que eu sei hoje pra que serve o Apocalipse,mas vá bene!Fica para outra história).O interessante da alquimia nunca foi pra mim a transmutação,era algo que eu contestava em sala de aula até com o professor,batendo o pé no chão e falando que a fusão do urânio ou a fissão de outro elemento radioativo decaindo no holocausto do chumbo por si mesmo já seria uma transmutação da matéria.

O barato real da alquimia sempre foi a linguagem simbólica e hermética,todos os símbolos desenhados detalhadamente para falar e ao mesmo tempo ocultar.Alquimia segundo algumas fontes advém de  “Al Khem”,ou “A terra negra”,em alusão ao Antigo Egito,que foi um grande centro científico da Antiguidade.Os ditos Mistérios Egipcios guardavam essa arte codificada por meio dos símbolos.Posteriormente que foi incorporada ao modo europeu da Idade Média no modo de construir e desenvolver a química amalgamada com os mitos de passado.Independente de ser ou não verdade que seja possível a produção do ouro físico de metais menos nobres(Regardie em sua entrevista atenta para o fato de que ainda existem pessoas que praticam esse modo antigo),o fato é que o verdadeiro trabalho que o buscador tem é transformar o lixo que ele é em ouro.

O trabalho nunca foi externo em si,mas interno,reflexivo e meditativo.Tudo isso com o intuito de transformar o caráter do praticante e sublimar os defeitos do ego.O ego seria o chumbo a ser sublimado e do qual surgiria o mercúrio dos filósofos,a pedra dos sábios.Nicolal Flamel sabia disso como um devoto cristão que era e que compartilhava com os ideais rosacruzes de sublimação do homem na cruz dos elementos para a formação e desenvolvimento do ser crístico.

O paralelo que os céticos e os cientistas xiitas do academicismo condenam é o entroncamento entre espiritualidade e práticas científicas.A grande contradição nisso é que a maioria das teorias formuladas e grandes feitos na própria ciência foram realizados por homens e mulheres que criam em algum criador do universo,ou eram cristãos.Newton foi um deles.Outro foi Paracelso,o “médico excelso”,cujo trabalho em relacionar astrologia,química e método científico o colocou como pai da medicina moderna (não meus caros,não foi Hipócrates,esse fanfarrão cujo juramento que a maioria dos açougueiros que se dizem médicos fingem jurar),tanto alopática (a que todo mundo conhece,baseada nas leis codificadas pela química,biologia e física) quanto homeopática (a de tratamento alternativo).

Para se ter uma noção do nível de fodalidade do puto,num simples tratamento de anemia ele prescrevia injeções com quantidades baixíssimas de ferro ou ingestão de muita carne,por simplesmente a anemia ser falta de cólera e sangue,e sangue derramado ser um fato bélico associado a marte,cujo metal usado por esse planeta ser o ferro!Mais foda que isso é saber que a anemia mais comum é a “ferropriva”,causada por um defict de ferro para a formação da hemoglobina!Quem achar que é coincidência demais ainda nem sabe que os cuteleiros do oriente reforjavam espadas que foram usadas em batalha para aderir o ferro do sangue à estrutura metálica e deixá-la mais forte e resistente como o aço!Daí vindo a lenda de que toda espada tem desejo de sangue.

Isso do Paracelso ele destrinchava com um misto de alquimia,astrologia e fisiognomia,que era uma proto-ciência comportamental e fisiológica que estudava o indivíduo por meio das expressões faciais,com base em teoria dos quatro humores.Teoria essa que se originou com Empédocles,um pensador grego que usava dos quatro elementos e os relacionava aos quatro tipos de pessoas que poderiam tender a um dos tipos mencionados de forma positiva ou negativa.

O trabalho químico ou alquímico lida com os elementos infinitesimais que compõem o todo e o homem.Assim como na química se estuda o que compõem o universo existente,na alquimia os elementos são estudados de uma forma diferente,sendo mais simbólicos que literais,pois o propósito é atingir o espírito e desenvolvê-lo a tal ponto que não seria mais necessário o trabalho,pois o mesmo já estaria purificado.

Fogo,água,terra e ar são apenas meios de se trabalhar o que é mais metafísico que físico.Ou seja,nunca foram literais esses elementos no trabalho do alquimista de verdade.Quem assim supunha e trabalhava no sentido egoísta de obter riquezas seria apenas um “soprador” de fole e forja que ficaria o resto de sua vida mortal em busca de um sonho tolo.Tanto é que nos sistemas de iniciação mais conhecidos,como os da Golden Dawn e Astrum Argentum,os graus são trabalhados de forma que em cada um deles se veja e tenha experiências elementares.No primeiro degrau de qualquer ordem que seja,você é um mero mortal em busca de sabedoria,mas até provar isso focê é relegado ao papel de ser mortal em processo de transformação,cuja morte encerraria uma das etapas desse processo de transformação interior.

Tanto é que o grau de neófito na Golden Dawn era chamado de “filho-da-terra”.Dela viemos por meio da fecundação,cuja mistura de genes proporcionou nosso desenvolvimento e crescimento como seres compostos de carbono.E para ela voltaremos como matéria decomposta que será comida pelos vermes e posteriormente será o húmus necessário ao desenvolvimento de vegetais e outros seres.”Do pó viemos e ao pó retornaremos”.Mais do que isso,reflete as antigas iniciações simbolicas dos mistérios egípcios que envolviam a figura de Osíris que também fora crucificado (nas versões mais comuns esquartejado) e renasceu novamente como outra divindade de caráter solar.

Essa crucificação na cruz dos quatro elementos é a antiga morte iniciática que reflete uma das fases da fabricação da tintura ou da pedra,que era a putrefatio,a “putrefação”,a separação dos elementos agregados,a morte em si.Quando se renasce pelos elementos é quando se equilibra com estes e se obtém de alguma forma um “comando” sobre essas potências.

Inicialmente não se pensava exatamente nos quatro elementos,mas em três geradores que por união gerava o restante das coisas.

A começar pelos hebreus cabalistas,que criam ser o mundo gerado por três fatores,que eram a água,o ar e o fogo.A terra seria então o mundo gerado pela união equilibrada destes.

Segundo o Sefer Yetzirah,”as bases são vinte e duas letras,três mães(…)ou seja,Aleph,Mem e Shin,estes são o ar,água e fogo:silenciar como a água,sibilar como o fogo,ar como espírito,como a língua de um equilíbrio permanente entre eles ereto apontando o equilíbrio que existe (…) As três letras mãe (…) são um equilíbrio,em boa escala,o mal dos outros e o oscilante equilíbrio entre elos”

Com essa versão traduzida já da tradução do Mathers já dá para se arriscar alguma coisa.

Como são ditas “letras-mães” por serem geradoras das coisas,algo que a meu ver é um resquício da ancestralidade pagã dentro do corpo cabalístico do mito cosmológico da mulher como deusa criadora do universo por ter dado “a luz” a este.

O fato de serem três elementos torna bem semelhante aos textos de Lao T’sé,onde se diz do nada ser gerado o um,e deste o dois,e deste o três,que a partir daí foram geradas todas as outras coisas.

Outra semelhança interessante se dá ao associar esses elementos aos alquímicos mercúrio,enxofre e sal,na formação da pedra filosofal para a realização da Grande Obra.Daí podendo associar o “grande mistério” ao processo secreto,hermético e sofisticado de feitura da dita “pedra dos filósofos”.

A alquimia é filha da cabala,e por vezes eu tomo um pouco de impressionismo quando eu encontro um paralelo de sabedoria desses antigos cabalistas até com as modernas hipóteses de origem da vida em nosso planeta em “e,no início,quanto ao macrocosmo ,os céus e a terra foram criados a partir do incêndio (…)”,coincidentemente pode até mesmo ser feita referência a tão cogitada explosão geradora do universo que ocorreu há 4,5 milhões de anos sob a tese do hipotético “Big Bang”.

“(…)a terra primitiva da água e do ar foi formado á partir do espírito,que fica sozinho no meio e é o mediador entre eles”

A teoria abiogênica tem como pressuposto que os coacervados,primeiros protótipos da célula,surgiram em meio a um demorado processo químico (terra primitiva) no interior dos mares primevos da formação terrestre (água primitiva) em contato com antigos gases como amônia e metano (ar primitivo) que associaram-se na forma dos aminoácidos por causa das descargas elétricas das tempestades (espírito Shin-mediador).

Esses são exemplos de entroncamento entre espiritualidade e ciência,seja ela metafísica ou linguística.A relação existe.E é um estudo inicial dos elementos que pode ser feito além do ponto de vista psicológico de trabalhar os humores,saindo daquele manjado esquema de serem quatro os elementos formadores do mundo.Em alquimia chinesa,por exemplo,os elementos varia de cinco a oito,dependendo do diagrama utilizado.

As coincidências são tantas que os chineses tinham lendas acerca da terra dos oito imortais,em que havia uma árvore que gerava frutos que,se ingeridos,proporcionavam a vida eterna.Além da busca pelo próprio elixir dos imortais.Isso comparando com as lendas do paraíso de Adão e Eva e os pressupostos básicos de alquimia medieval mostra que esta,juntamente com a cabala,tem caráter universal,mudando somente alguns detalhes por conta da região em que se praticava e a forma como se praticava.

Enquanto no ocidente se trabalhava em paralelo com o desenvolvimento metalúrgico para se depurar as substâncias,na China sua aplicabilidade era focada nas ervas e chás lendários.Na Índia o foco nunca deixou de ser interno.A prática alquímica foi internalizada no indivíduo,sendo a própria pedra do sábios a ser lapidada pelas práticas de cunho meditativo,assim como na corrente do taoísmo.

Símbolos,glifos,metáforas.Tudo isso direcionado para o praticante perceber que ele tinha de se transmutar mesmo em algo melhor observando como isso era processado na natureza.Com o tempo se criaram várias vias e métodos de se alcançar esse objetivo.Alguns ficaram no esquecimento,outros ainda não foram decifrados totalmente.De todas pode-se arriscar em resumí-las em duas vias.

A primeira das vias conhecidas e praticadas foi a de caráter úmido,de fogo brando e cujo tempo de feitura da tinta demorava um longo tempo,num processo estável e seguro.Isso em linguagem magística é próximo do que conhecemos por RHP,”Right Hand Path”,o “Caminho da Mão Direita”,onde o magista de forma devocional busca a pedra em si pela emoção e devoção para se reintegrar ao Criador e assim recuperar o estado de beatidude perdido quando seus ancestrais Adão e Eva pereceram em pecado.

A outra via,menos comentada por causa de seu caráter perigoso é conhecida como a via seca,uma via acelarada que rapidamente se alcança a fabricação da pedra,mas não sem riscos,por esta não levar elementos de caráter reagente ou solvente,deixando-a muito instável.É uma via de razão e vibração pela auto-afirmação que muito se aproxima do que conhecemos por LHP,o “Left Hand Path”,o famigerado e temido “Caminho da mão esquerda”,que abrange as mais diversas doutrinas,como satanismo,luciferianismo e thelema.

Não devemos nos prender aos estereótipos,pois muitas vezes pensamos que a vida que escolhemos é o único caminho perfeito a todas as outras pessoas.Isso é um erro muito grande de percepção.Como você garante que seu caminho é o verdadeiro se você nunca conheceu a verdade de fato?!Em vias alquímicas elas também tem seus riscos…muito se fala mal do LHP e seus riscos mas se esquecem que esquizofrenia,megalomania,fanatismo e  tornar-se um lunático é um risco de loucura real dentro da via úmida.

Quando não pensam que thelema é unicamente ir contra o universo como o luciferianismo e o satanismo.Deve ser entendido que existem vias dentro de vias.Thelema é de esquerda,mas diferentemente de outras correntes,pode muito bem se buscar nela a reintegração com o Universo ao invés de divinização e separação total com “O Criador”.

Adentrar nas profundezas de si mesmo,enfrentar seus piores demônios e encontrar a pedra que está oculta em ti mesmo.Essa é a natureza de V.I.T.R.I.O.L,posteriormente chamado vitríolo,antigo nome dado ao ácido sulfúrico.Como lidar com este veneno?A resposta está no caduceu de Hermes.

Fontes

Alquimia,por Stanislas Klossowski de Rola,Edições Del Prado

O Livro das Figuras Hieroglíficas,de Nicolal Flamel,Ed.Planeta

Outras Fontes

Alquimia – Um pequeno e-book em PDF do 4shared na forma muito,mas muito resumida.Mas nem por isso menos instrutiva para noções iniciais.

Alquimia – Um artigo do blog O Alvorecer,do Jeff Alves

Os alquimistas e a ciência – Artigo também do Jeff pelo Teoria da Conspiração

Alquimia – Um artigo da Wanju Duli sobre o tema em Ocultismo Magnífico

Liber Librae – “O Livro do Equilíbrio”,leitura obrigatória a todo que busca se equilibrar com os elementos

Full Metal Alchemist – Um anime (desenho animado japonês) que trata do tema.Eu recomendo porque casa bem a arte de graphic novel japonesa animada com elementos de ciência e ocultismo e uma lição importante sobre a busca pela verdade e pela vida de um ente querido

Mundo Avatar – Site dedicado ao desenho em formato cartoon da Nickelodeon,de muito bom gosto e que dá como pano de fundo a relação com os elementos

Elementos em diversas tradições – Um link em inglês sobre o assunto

Post Scriptum-Aos demais peço perdão se viajei muito na batatinha.Este é um artigo mais complexo que o comum e veio de sopetão entre o sono e a vigília.

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Thelema for Dummies

Aleister de Gwyllm LLwyd

Falar de thelema chega a ser complicado.É um assunto bastante complexo extenso,mas pode ser resumido satisfatoriamente.Esse será um guia introdutório de thelema feito na forma de um F.A.Q descompromissado.

1.O que é thelema ?

Thelema é uma doutrina espiritual de base mística e mágica que trata de ascender o homem a sua verdadeira natureza e verdadeira liberdade.Ela teve um leve início com François Rabelais durante o período do Renascimento Italiano através de sua mais famosa obra,que é Gargantua e Pantagruel,em que tratava do questionamento das estruturas já defasadas da Igreja e da Idade Média que ainda obscureciam a mente e tolhiam a liberdade de expressão das pessoas,servindo como base para o proto-anarquismo/socialismo.

Seu texto mais evidente dentro da obra em questão foi Abadia de Thelema,onde relatava o cotidiano de uma abadia heterodoxa aos padrões monásticos,cuja regra maior era Fai ces que voudras”,”fazer o que se quiser”,nada sendo proibido àqueles que buscava a verdadeira liberdade.

Posteriormente num dia particular de abril um britânico de nome Aleister Crowley,engajado ocultista e antigo membro de uma ordem de caráter rosacruciano chamada Aurora Dourada (“Golden Dawn”) passa por uma experiência mística que o faria cinco anos depois atestar o fim de uma era de dor e mortificação condensadas no credo do cristianismo.Essa era,ou “Aeon” (pronuncia-se “Éon”) estabeleceria uma nova lei que regeria os homens em busca de liberdade espiritual sem mais mortificações e terrores provocados pelas religiões e suas patologias esquisofrênicas e dos credos científicos que deixavam o homem a beira do niilismo e auto-destruição.

2.O que thelema prega?

Thelema,acima de tudo,advoga a liberdade e autonomia do homem.De certa forma tem como o homem um ser divino a ser ascendido aos céus como um rei e não mais um sofredor que se martiriza em busca de um perdão para poder crescer,seja por medo do demônio ou do inferno de penas eternas.Para isso bastaria o homem se libertar desse antigo modo de vida e agir como um ser realmente divino na conclusão de seu verdadeiro desígnio divino,chamado dentro da doutrina de Verdadeira Vontade.

3.Thelema é algum tipo de religião?

Isso depende do que formos considerar ou não como religião.A definição etimológica original para religião advém do termo “cultus”,ou culto,o credo espiritual oficial do Estado Romano,uma vez que a palavra deriva do latim,lingua morta e materna dessa civilização.Diferentemente,religião em si surgiu da palavra “religare”,cujo significado é “religar”,unir o homem a algo maior que ele ou reestabelecer a conexão original com o divino.

De certa forma pode-se dizer que sim,thelema é uma religião no sentido de religar e não,thelema não é uma religião com dogma imposto ou propósito de placebo ou garantia pós-morte de uma felicidade vindoura,o que a desqualifica nesses quesitos.

4.Então porquê se fala que thelema tem um “Profeta”,um “livro sagrado”,uma “lei” e uma “revelação” se thelema não é religião?

Aleister Crowley,quando das suas experiências,teve um contato com uma entidade espiritual praeter-humana (ou alienígena,se preferir) de nome Aiwass,que se dizia ministra do novo regente da era que se iniciava,de nome Hórus (e seus nomes derivados) cujo propósito dado a ele era ser o Profeta dessa boa nova.

Parece um pouco estranho a princípio,mas o caráter desses termos não é no sentido religioso tradicional e estrito senso no qual estamos acostumados.Pense assim:Crowley recebeu uma mensagem (“revelação) na forma de uma ordem (estabelecer uma “lei”) e teve de escrever as suas instruções no papel para não perde-las e assim preservá-las para a posteridade (o “livro sagrado”) com o intuito de poder transmitir aos demais como seu principal divulgador (o “profeta”).

Não é algo que seja absurdo ou novidade.Todas as doutrinas conhecidas que tenham sido condensadas em corpo escrito e prático foram decorrentes de revelações externas ou internas.A exemplo das cinco grandes religiões (a saber:hinduismo,budismo,islamismo,judaismo e cristianismo) que anjos ou deuses vieram de outros mundos longinquos conversar com os buscadores eleitos e chamá-los a espalhar as “boas novas”.

Dentro desse contexto thelema parece uma revelação menor e algo mais agregado a espiritualidade que um placebo dogmático para as grandes questões que o homem levanta a respeito de tudo.

O Livro da Lei (conhecido como Liber AL vel Legis),onde está condensada a doutrina e o sistema de ascenção espiritual,não sendo nenhum fator de autoridade de impor qualquer tipo de verdade ao adepto.Em thelema preza-se sobretudo sobre a liberdade.O adepto é livre para tratá-la como quiser,seja religião ou diretriz simbólica.

5.Do que trata o livro central dessa doutrina,conhecido como Liber AL vel Legis,vulgo “O Livro da Lei”?

Em síntese,trata:

1.Da identificação do homem com um ser divino que deve ascender a beatitude sintetizado na frase “todo homem e toda mulher é uma estrela”.Mas para tal,o homem tem de sair da condição mortificada de pecador,que de fato nunca existiu,por seu uma ilusão que o prende em ignorância.Essa filosofia de subserviência e submissão afastaria o homem da união com o universo.

2.Essa união de propósito com o universo se daria através da Grande Obra,um processo de iluminação longo e demorado,mas que só pode ser realizado por meio da Verdadeira Vontadade,um propósito divino que está no âmago de cada ser humano em busca da ascenção.

3.Essa aplicação da Verdadeira Vontade,se for verdadeira mesmo,reverbera em todo o universo,fazendo-o “conspirar” ao seu favor,porque a sua vontade,se divina,corresponde em gênero,número e grau a vontade de todo o Universo.Daí a frase mais citada nas saudações thelêmicas:”faze o que tu queres,há de ser o todo da lei” (essa tradução não é definitiva,uma vez que a lingua sagrada de thelema é o inglês a frase original foi pensada para o contexto desse idioma,podendo a tracução muitas vezes sofrer corruptelas intencionais ou não)

4.Essa união de vontades com o Universo se daria através da exaltação do homem como divindade através da apoteosis,processo espiritual gnóstico e hermetista de divinização do homem como um deus de fato e exercício,em querer ser “mais que humano”(um dos lemas e juramentos de iniciação da Golden Dawn) ao encontrar o Sagrado Anjo Guardião.Um dos motivos de ser da frase “amor é lei,amor sob vontade”.

6.”Faze o que tu queres,há de ser o todo da lei” significa fazer realmente tudo o que der na mente?

De forma alguma.Todo ato praticado pelo homem não é totalmente destituído de responsabilidade.Ação na maioria das vezes tras consequências a quem as pratica,independentemente de qualquer tipo de moral ou censura sob o pretexto do karma.

Isso porque o que deve ser apreendido dessa frase é que o ser humano,quando cumpre sua Verdadeira Vontade tem o “aval” do Todo de realizá-la,porque está em conformidade com a “lei” ou leis da natureza e do Universo.O universo literalmente “conspira” a favor daqueles que seguem seus próprios desígnios e lutam para emitir seu brilho próprio.Não tem nada a ver com moral ou costumes,pois até uma puta e um mendigo podem se iluminar se seguirem seus desígnios sagrados.Mas o amadurecimento pessoal talvez lhe traga a luz quando começares a refletir sobre a frase de Nietzsche,que diz:”Torna-te aquilo que és”.

7.Então “Faze o que tu queres” é um aval de liberdade ao homem de ser aquilo para o qual nasceu e vive.Mas como então eu posso saber o propósito que me move se eu não sei nem quem sou?

É disso que se trata,da busca.Afinal,não teria propósito algum de se buscar aquilo que é se se já sabe o que é.Parece complicado,entendo.Até para mim mesmo é complicado.

O desafio que se passa para se descobrir aquilo que se é e que se faz como Verdadeira Vontade.Essa busca é o que se chama nos sistemas mágicos mais em voga (como Abramelin) de buscar contato e conversação com o Sagrado Anjo Guardião.Não entrarei muito em detalhes sobre a natureza do S.A.G,mas em resumo,o contato e conversação revelariam qual a Verdadeira Vontade do praticante,aquilo que o move em direção a sua execução que muitos conhecem por Grande Obra.

Isso porque o homem sofre pela separação da execução desse propósito sagrado.Seguir a lei     sagrada e executá-la sem propósito egoísta e sem espectativa objetiva é um ato de amor,amor este direcionado pela vontade.Amor que tudo move.Thelema é uma palavra grega cujo significado é vontade e convertido em cabala por um método numérico e linguístico chamado gematria.Em gematria a palavra amor tem o mesmo valor de vontade.

Daí se dizer “Amor é lei,amor sob vontade”.

8.Thelema é anti-cristã?

Essa é uma das perguntas mais difíceis que eu conheço.É uma pergunta de temática polêmica,porque quando se trata de paradigmas e crenças pessoais é natural que cada um escolha seu ponto de vista a defender.

A começar pelo próprio cristianismo,que muitos que se dizem cristãos nunca pararam para pensar a respeito de sua própria fé e tem engolido por séculos respostas prontas sem o mínimo de questionamento.Não vou entrar no mérito de dizer o que o cristianismo é ou não com base em achismos somente.

Meu posicionamento aqui é ocultista e iniciático.Todas as religiões tem um sistema iniciático oculto (ou em resquícios) dentro de sua estrutura.Com o cristianismo essa regra é a mesma.Jesus foi um judeu que teve contato com várias vertentes diferentes do judaísmo e foi rabino,uma vez tendo ele sido iniciado ele é ungido em óleo sagrado que representa a unção do Espírito Santo,quesito no qual o tornou adepto capaz de executar prodígios miraculosos que,do ponto de vista mundano,seria simples milagre,mas do ocultisma,é simples magia.

Daí ele ser conhecido como “O Cristo”,porque a palavra Cristo é um título de honra espiritual que significa “ungido” (dada a sua iniciação) da mesma forma que Sidarta é conhecido como “O Buda” (“O desperto”) e Gandhi de “Mahatma” (“O grande homem”).A natureza real do cristianismo é iniciática.Tal era o entendimento disso que foi incorporado com as práticas mágicas da antiguidade e preservado no modelo de ciência oculta e alquimia ocidental por vários mestres (Papus,Levi,Guaita…) e tradições (martinismo,rosacrucianismo…) na Europa como um todo.

O outro cristianismo,o cristianismo vulgar de dogma e alienação imposto a plebe é o que Marcelo Ramos Motta costumava definir como “cristismo”,ou cristianismo romano-alexandrino,influenciado por Roma e destruidor das demais crenças que afrontavam seus dogmas de fé.Esse cristianismo foi o que imperou acima do primeiro (que foi relegado á marginalidade) e continua atualmente ativo e operante.

O que novamente deve ser frisado para que o iniciante entenda a questão é que todos os credos religiosos tem sistemas de iniciação como base.Sistemas esse cujo propósito é retirar o homem do estado de ignorância e levá-lo a estados de beatitude,não importa se dentro do budismo,hinduísmo,judaísmo ou qualquer outro credo existente.Todos tem esse propósito.Em cada época um dentre vários se destacava e ditava a tendencia do momento,como uma corrente energética de operação,diretriz e execução.

Em thelema isso foi interpretado temporalmente como os Aeons,que são basicamente três:

1.Aeon de Ísis,cujo sistema de iniciação era primitivo e ligado à mulher,uma intensa ligação animista com a natureza e relacionado a infância do mundo.Conexão com a terra.A condição materna e feminina em voga,simbolizada por Ísis.

2.Aeon de Osíris,cujo sistema de iniciação estava conectado aos ciclos de início e fim,vida e morte,nascer e por-do-sol.A morte como iniciadora do homem,que deveria se purificar das impurezas no processo para renascer como um homem puro e iluminado.Identificação com Osíris e o caráter patriarcal.Aeon esse cujo maior credo que obedece a premissa é o cristão.

3.Aeon de Hórus.O Aeon atual,em que a identificação do homem passa a ser com o sol sem ciclos aparentes de nascer e poer,mas com a sua imortalidade e “eternidade”.Identificação com o caráter solar,de rei,cuja divindade-símbolo mais evidente é Hórus.Aeon no qual encabeça a doutrina thelêmica.

Dentro desse raciocínio é natural que os sistemas de iniciação sofram modificações a fim de se atualizar com o pensamento e desenvolvimento da humanidade como um todo não excluindo que outros mais antigos ainda permaneçam ativos.O conceito de tempo não é algo meramente corrido,mas inerente também ao espaço.O tempo é uma dimensão tangível dentro de nosso universo.Tanto que é chamado na física moderna de Espaço-Tempo.

Isso por ser comum que em comunidades primitivas que ainda estejam no neolítico tenham sistemas de iniciação do Aeon de Ísis continuem convivendo ao mesmo tempo presente com o cristianismo (do Aeon de Osíris) e thelema (do Aeon de Hórus).Nada exclui que o indivíduo se inicie em qualquer sistema que queira se assim for da vontade dele.É tudo questão de tendência.

Em thelema a tendência é uma troca de formas,fórmulas e conceitos que o Aeon anterior deixou.Se no anterior a morte era o cerne da iniciação e o martírio,purgação e pecado conceitos comuns a busca do homem.No atual,de Hórus,esses conceitos são destruídos,não servindo mais ao homem comum que por muito tempo ficou relegado e mortificado na condição de escravo que se curvava para se purificar de “pecados”.Pecados estes ilusórios e que o afastam de sua Grande Obra.Para isso o homem deveria se conectar não mais ao mito de vida e morte do sol,mas de realeza solar,como um rei (e não mais um escravo) que deveria concluir e fazer sua vontade e assim ser verdadeiramente livre.

Essa é a real oposição de thelema ao cristianismo (o romano-alexandrino),que já teve sua época e não mais serve ao conceito atual e evolutivo da humanidade (mas nem por isso deixa de ser menos importante.O caráter crístico de unção e iniciação é universal e mesmo em thelema se faz presente,devendo ser estudado e levado em consideração).Isso responde a pergunta:Sim,thelema é anti-cristã no sentido de combate ao mal do “cristismo”(cristianismo romano-alexandrino) hipócrita e castrador espiritual e não,thelema não se opõem ao caráter iniciativo do cristianismo esotérico,mas o relega a um plano secundário uma vez que os conceitos de iniciação e desenvolvimento espiritual sofreram um aperfeiçoamento.

9.Então o que explica as atitudes polêmicas de Aleister Crowley ?

Outro questionamento difícil e complexo de ser respondido.

Um dos grandes erros do iniciante é o erro sobre o paradigma da pureza e da perfeição.Muitos pensam que pureza deve se associar inexoravelmente aos conceitos de “luz” e “bondade” em oposição a “trevas” e “maldade”.Ledo engano,isso se trata de um dualismo em considerar o mundo como uma luta de opostos eterna em que o “bem” no final impera sobre o “mal” para todo o sempre.

A melhor ilustração que eu conheço é a de Moisés quando teve com Deus na sarça ardente.O profeta do Êxodo perguntou para o arbusto em chamas se se tratava do Deus de Isaac,Jacó e Abraão.Ao que responde a sarça:”Eheieh”,cujo significado é “Eu sou o que sou”.

Se Deus simplesmente É,ele não necessita de definições que o limitem,tampouco de dualismos que o afastem do homem.De uma forma ou de outra ele é um só em TUDO.Seja luz,trevas,bem,mal…pois são conceitos morais menores que afastam o homem da Verdade em todas as coisas.

O mesmo se dá com o conceito da pureza e perfeição.A luz pode tanto cegar quanto aquecer,assim como as trevas podem ser a princípio temidas,mas se tornam benéficas a uma boa noite de sono.A pureza de um copo de veneno chega a ser preferível a palavras de “paz e amor” ditas sem sinceridade.

O mesmo se dá com a perfeição.A natureza das coisas é perfeita pela naturalidade,não por uma perfeição simétrica e ordenada,pois o caos é a engrenagem invisível que dá sentido a ordem.

Dado isso,muitos costumam associar mestres aos critérios de perfeição instantânea e isentos de erro.O mestre também é humano!Não foi só Crowley que fez merda em vida,mas como tantos outros que buscam se aperfeiçoar no caminho da iniciação.

Jesus já deu porrada em muito tolo e algumas vezes veio também “trazer a espada”.Pra quem tá pensando que ele foi somente um carinha bonzinho tá enganado.Assim como grandes mestres como Dalai Lama tiveram mestres ignorantes e brutos…ou mesmo monges zen que jogavam seus discípulos na lama.Dois exemplos que estão inseridos em religiões que pregam a paz!

Não dá para concordar ou discordar totalmente com tudo o que Crowley fez ou não em vida.Ele já morreu e nem existe mais.Já se iluminou e alcançou sua plenitude.

Sim ele fez cagadas fenomenais,foi um crápula,caloteiro,brigão,orgulhoso,grosso,rude e outros adjetivos intermináveis,mas ele foi sincero com sua busca e consigo mesmo e em nada desmerecendo a sua contribuição à magia e ao ocultismo.O mestre que é mestre não só afirma que é um,mas simplesmente É.Crowley foi um grande mestre e por mérito próprio que em nada o diminui a outros que houveram pelo mundo.

Não estou aqui para justificar o que não pode.Nem para julgar em demasia.A conclusão no final é sua.

10.Qualquer um pode se tornar um thelemita?O que é necessário para ser um thelemita?

Quanto a primeira pergunta,para se tornar um thelemita precisa-se sobretudo se identificar com a proposta e objetivos inseridos em thelema.Não como um dogma de fé que deve ser pregado aos quatro cantos do mundo,mas como uma diretriz pessoal de vivência,estudo e prática da lei no cotidiano.Esse é o desafio.Aceitar o Livro da Lei e o Profeta e tudo o que está inserido na doutrina também é importante,por serem coisas centrais do paradigma de quem é thelemita,mas são mortos se não houver sinceridade de busca do praticante.

Thelema é vontade acima de tudo,independetemente do caminho escolhido.Até mesmo se não for o caminho thelêmico.Se o indivíduo estiver de acordo com sua vontade como lei pessoal e executá-la é ainda mais válido que os que posam como falsos thelemitas e se cumprimentam falsamente com as saudações sagradas da doutrina e não pratiquem a doutrina de forma saudável e sincera e não consigam executar suas vontades,mas impondo dogmas ou polêmicas em nome de uma suposta vontade de Crowley!De nada vale que se chamem de thelemitas!Que sejam jogados ao fogo como os galhos infrutíferos de uma árvore podre!

Se a intenção e objetivo forem verdadeiros,a chama de Hadit queimará no âmago de seu coração assim como arde no núcleo de cada estrela.E só aí saberás que és um thelemita.

11.O que você me indica para começar a ter um estudo mais aprofundado do assunto?

O propósito desse F.A.Q é apenas de ser uma introdução concisa sobre o tema.Não tem como preteção abordar tudo,porque muitas perguntas surgirão no decorrer dos estudos e nem todas elas podem ser respondidas de imediato.

O propósito do Lamparina Mágicka é ser uma pequena chama que ilumina os caminhos daquele que busca alguma coisa.Só indicamos as estradas da senda.Percorrê-las cabe aquele que ousa ser audacioso.

Livros

A Magia de Aleister Crowley-Um Manual dos Rituais de Thelema,de Lon Milo Duquetti,Ed.Madras

Fundamentos de Magia (K),de Sergio Bronze,Ed.Madras

Aleister Crowley-A Biografia de um Mago,de Johan Heyss,Ed.Madras

Obs:Terão suas devidas resenhas em breve estes livros.

Outras fontes

Thelema -Artigo mais detalhado do Wikipédia

Thelema:Uma religião da Nova Era – Artigo do Carlos Raposo em que advoga thelema como religião

Um tipo estúpido de injúria (thelema é uma religião?) -Artigo de FR.Αληθέυω em que este advoga thelema não ser uma religião

Guia da transformação thelêmica -Texto de Charles Stanfeld Jones (vulgo Achad) sobre o tema,direcionado áqueles que se interessam em ser thelemitas

Liber Oz – Uma síntese da doutrina thelêmica.Serviu de inspiração para a criação da obra “O Mago de Oz”

Carta a um maçom – Texto do Marcelo Ramos Motta a um maçom advogando contra o “cristismo” em favor de thelema

Os antecedentes de thelema – Texto do Crowley sobre thelema e o que a antecedeu.Aborda  a obra de Rabelais que moveu os primeiros conceitos de thelema.

Creio que de início seja o suficiente para um estudo introdutório do tema.

Espero ter ajudado,

Abraxas.

“Amor é lei,amor sob vontade”

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O caminho e os companheiros de jornada

Matilha

Matilha

Outra dificuldade bastante comum durante o empreendimento do iniciante a jornada rumo a iluminação é a solidão.Nada torna mais insuportável o caminho quando nos sentimos solitários e incompreendidos e não podemos nos expressar da forma que gostaríamos.

A senda das ciências e artes ocultas é dura com quem a percorre.Não sem razão,afinal,se as pessoas quisessem facilidade elas não estariam aqui no mundo físico sofrendo horrores.Como já li uma vez,”o caminho é tortuoso como a serpente”.

“Zoon politikon”,dizia Aristóteles.O homem é um ser que tende a se agrupar socialmente,seja para proteção ou formar família.Isso em sentido geral.Ao iniciante em ocultismo é comum também ter a preocupação de se agrupar para proteção e desenvolvimento espiritual.

A busca por grupos de estudo não é fácil.Um dos primeiros obstáculos é o local onde você mora,pois nas pequenas cidades não há tanta gente interessada como nos grandes centros urbanos,onde é relativamente mais fácil de se reunir e se organizar.Mas isso se torna menor diante das vantagens que um grupo proporciona,como vivência prática,troca de conhecimentos e até mesmo amizades duradouras.

Você deve ter achado estranho esse “até” quando me referi a amizades.Mas é comum que no grupo todos não se deem bem (ou ao menos se tolerem) ou que tenham disputas de egos e interesses diversos,conflitando com os interesses gerais do grupo.Isso acontece nas melhores famílias ao que dizem.Para quê exemplo melhor do que vemos sobre história de ordens como Golden Dawn e Ordo Templi Orientis,que se digladiavam umas contra as outras na busca de ser a única e verdadeira…tudo isso de disputas de membros que buscavam a iniciação em algo maior e sublime,olha a ironia!

Isso dá um pouco de receio ao estudante que tem medo se deparar com discussões inúteis em vez de estudo e prática sinceros.Eu mesmo posso dizer por experiência própria em ambas as opções.

Comecei como muitos no caminho solitário e provei do amargo de se sentir só e não poder se expressar com sinceridade.Num país de dogmas e hipocrisia das elites,religião e moral dominantes,ser um ocultista é considerado um quase crime e dizê-lo abertamente dá certeza de sofrer ostracismo social.O buscador que escolhe esse tipo de caminho já deve estar ciente de que muitas vezes vai se encontrar marginalizado e só com seus botões.FATO.

Mesmo com essas dificuldades ainda é possível se encontrar com gente que compartilha de interesses similares e poder aprender coisas novas.Nessa busca o melhor que eu posso indicar é que se vá atrás.Buscar é muito importante.

Antigamente revistas esotéricas como a antiga Planeta serviam como veículos de divulgação de grupos de estudo,ordens,fraternidades,etc.Hoje com as maravilhas desse negócio de internet (ha-ha!) as coisas ficaram um pouco mais fáceis.São fóruns ou comunidades virtuais de redes sociais em que se pode partilhar de discussões ou mesmo organizar encontros para a formação de grupos.

Ademais,algumas precauções devem ser tomadas quando se trata de internet e busca de gente interessada nas ciências antigas,pois existe todo tipo de gente descompromissada,arruaceira,charlatã e criminosa que pode se utilizar do ocultismo para enganar os outros,aliciar sexualmente,roubar seu dinheiro,alucinar ou ludibriar seus sentidos e mesmo fazer uma lavagem cerebral e te alienar (note bem a leseira característica da senhorita do vídeo,alienação chega dói na vista!) a ponto de transformar a sua mente num monte de esterco.

Todo cuidado é pouco,por isso verifique a credibilidade das instituições ou grupos que você está interessado,sejam eles ordens ou turmas de pequenos cursos.Investigue tudo,seja um xereta e meta o nariz em tudo que você puder encontrar e desconfie sempre.Se a instituição for confiável procure tirar dúvidas com alguns de seus representantes.Isso é crucial,pois fica mais fácil de entender o estilo e princípios da instituição em que se está querendo entrar.

Isso eu digo em virtude dos vários casos que eu já notei de gente que sai de ordem e vira um ex-membro por não compactuar no seu âmago com os objetivos da ordem e os seus próprios,seja por medo,desilusão ou pretensa arrogância (e megalomania/esquizofrenia de poder) e a lista fica lonnnga…

Quando não,apesar do problema em si,a solidão nos dá a liberdade criativa e de diretriz para nós decidirmos o quê,quando,como e onde fazer e sermos nós mesmos.Mas peca pela falta de foco e determinação quando não sabemos o que estudar e praticar,ficando num ecletismo sem fim e sem estabilidade que nos enfraquece e nos deixa distraídos.

É como diz o mestre Renato Russo em suas músicas:”disciplina é liberdade(…)compaixão é fortaleza(…)ter vontade é ter coragem”.

No mais,é só isso que tenho a dizer.O caminho no fim é solitário,você e o “outro lado” da porta.Não haverá mais ninguém.Sendo que nada impede que no curso do caminho se possa ter companhia até a bifurcação mais próxima…

Até.

Fontes

Experiência própria (Ah vá!)

Exemplos de charlatanismo

Templo de Lúcifer -O cara realmente é um mago…de show pirotécnico

Templo de Alta Magia -De um puta mestre que ensina quase todos os sistemas de magia conhecidos….e não domina nenhum!

As Fraudes Misticas de Samael Aun Weor e os Samaelianos -Link polêmico,mas não deixa de ser verdade.Isso é a resposta que eu deixo aos ataques que esses putos fizeram a thelema (se você por acaso for um samaeliano,por favor saia desta página,sua presença enoja meu blog.Grato pela compreenção)

Comunidades para discussão

Ágape – Fórum thelêmico de discussão geral sobre ocultismo,religião e espiritualidade em geral.Mais um dos projetos de parceria entre Espaço Novo Aeon e Hadnu.org

Projeto Mayhem -Fórum de discussão geral de ocultismo e espiritualidade de caráter fechado,só entrando mediante convite por e-mail ao Marcelo Del Debbio ou de outros amigos que façam parte do projeto.Vinculado ao blog Teoria da Conspiração.

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